sexta-feira, junho 15, 2012

[CRÍTICA] Prometheus (Prometheus, 2012)

Trailer de Prometheus

O nome já diz tudo. Prometeu, na mitologia grega, foi um defensor da humanidade, que roubou o fogo dos deuses e deu-o aos mortais. Uma excelente metáfora para uma nave que parte em busca de conhecer a origem da humanidade, supostamente localizada em um planeta distante. O que todos esquecem, entretanto, foi a punição que o titã sofreu por tamanha ousadia: ser amarrado em uma rocha e ter seu fígado comido, eternamente, por uma águia. Prometheus, nova obra de Ridley Scott, apenas nos presenteará. Já a nave homônima presente na película...

A trama se baseia em uma missão espacial a um planeta desconhecido, após uma série de descobertas arqueológicas que indicam uma espécie de mapa estelar. Ao encontrar seu destino, porém, a tripulação descobre que precisa se preocupar mais com o futuro da humanidade do que com seu passado.

Com base em questões e mistérios filosóficos que desde sempre intrigaram a humanidade, Scott constrói uma rede de perguntas para aguçar a curiosidade do telespectador e afastá-lo da esperança de um mero remake ou prelúdio de Alien (Alien – O 8º Passageiro, 1979). Nada é respondido e é nisso que reside o brilhantismo de Prometheus. Muitos se decepcionarão por não encontrar respostas. Mas por quê deveríamos? Porquê as evidências arqueológicas formam um mapa e, nas palavras da Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), um convite? E se ela estivesse errada? Não seria apenas realista assumir que existe a possibilidade de que, por mais que nos esforcemos, não consigamos resposta nenhuma? É disso que Prometheus trata: ingenuidade versus arrogância. A ingenuidade de acreditarmos que há uma resposta para tudo e a arrogância de que merecemos esta resposta. É nesta hora que percebemos o quão o andróide David (Michael Fassbender) está certo ao se vangloriar por não poder sentir decepção.

Com eficiência, nos vemos perdido em um planeta distante, com mais curiosidade do que medo, até que a atmosfera muda lentamente para o desespero e terror. Há cenas antológicas e belíssimas onde imperam o gore, as gosmas e os efeitos surpreendentes (a cena do parto é sensacional!). A ambientação é de tirar o fôlego e o visual é bem mais clean que o original. É difícil entender, porém, como Scott, que se empenhou tanto para entregar um filme inteligente, pôde aceitar as frases-explicativas-óbvias tão temidas em roteiros deste tipo, como a da personagem de Charlize Theron, ao acompanhar de Prometheus David à uma nova câmara inexplorada no complexo existente no planeta: "He cut me off!". Desnecessário.

O roteiro possui alguns erros de descontinuidade e alguns buracos, mas que são esquecidos pelo ritmo incessante e envolvente da direção. Como em Lost (adivinha que é um dos autores do roteiro?), não há respostas para tudo, mas responde-se a algumas perguntas do primeiro Alien. O Space Jockey deixa de ser um enigma e o desenvolvimento da história se aproxima vagarosamente da atmosfera Alien, para deleite dos fãs. A última cena é uma homenagem previsível, mas bem-vinda.

Fassbender e Rapace estão geniais e ofuscam qualquer outro membro da tripulação. Tripulação esta que é um dos grandes defeitos do filme; afinal, 17 membros são personagens coadjuvantes demais até mesmo para uma minissérie. Ficam sub-aproveitadas especialmente as personagens de Theron, Idris Elba e Guy Pearce.

Para finalizar e apesar dos defeitos, Prometheus é uma excelente obra de resgate da quadrilogia alienígena, que se atolou num mar de lama. O Oitavo Passageiro continua sendo a obra-prima, mas este chega bem perto: é uma homenagem à altura do clássico de 79. Afinal, jamais haverá Predador, ou James Cameron, ou Dan Aykroyd, capaz de competir com o melhor alienígena de cabeça cônica!

Daniel Lima

quinta-feira, junho 14, 2012

[CRÍTICA] Poder Sem Limites (Chronicle, 2012)

Trailer de Poder Sem Limites

Particularmente, eu sempre refutei a grande máxima do Tio Ben: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.” Chronicle, de Josh Trank, veio para me apoiar em tal contestação e mostrar ao Spidey que ele poderia ter tido outras opções. Algumas mais divertidas, outras mais psicopáticas; entretanto, Trank soube muito bem como tratá-las em seu primeiro trabalho no cinema.

Como sinopse, temos três adolescentes, Andrew (Dane DeHaan), Matt (Alex Russell) e Steve (Michael B. Jordan), que descobrem um artefato misterioso e ganham poderes telecinéticos da noite para o dia. Ao desenvolverem seus poderes, eles se desentendem, à medida que cada um tem de lidar com suas próprias ambições e conflitos interiores.

A estética é a mesma que ficou famosa em The Blair Witch Project (A Bruxa De Blair, 1999): câmera tremida nas mãos dos próprios atores, cortes bruscos e interferências. Provavelmente escolhida para se encaixar em um baixo orçamento, fica claro ao final do filme que valeu a pena. Além disso, traz um tom mais inovador, imersivo e realista à história e ao drama dos protagonistas, curiosamente estereotipados (como em qualquer filme high-school norte-americano), porém sem se tornar caricaturais.

Em diversas cenas, são abordados a imaturidade dos protagonistas e o dilema que consiste em o que fazer com tanto poder. No entanto, o único que parece fazer algum progresso é Andrew, uma mistura de Magneto com Tetsuo, e sua teoria sobre o apex predator (ou homo superior). Já os principais defeitos do filme são a previsibilidade e o foco excessivo em Andrew. Acho que Matt e Steve poderiam ter sido personagens mais desenvolvidas. Por exemplo, ao final, é mais fácil justificar os erros de Andrew devido ao seu passado, do que apoiar Matt em sua defesa ao coletivo ou “bem cristão”.

O filme é despretensioso, simples, e com belas tomadas. O duelo final, entretanto é homérico: deixará qualquer fã de anime boquiaberto... Após o fiasco Dragonball Evolution (Dragonball Evolution, 2009), Chronicle veio para se enfiar no meio de Akira (Akira, 1988) e as duas partes de seu futuro remake já anunciado. E o melhor: não faz feio não! Espero que fique aqui a dica para a Warner Bros!

Enfim, de qualquer forma, grande estréia para Trank, que prova que não precisa de centenas de milhões de dólares para realizar um filme inteligente e divertido sobre super-heróis. Demolidor, Motoqueiro-Fantasma, Quarteto Fantástico, Hulk, Constantine, Spawn e Wolverine (e outros!) devem está se remoendo em seus gibis: heróis de grande poder e renome, mas com películas extremamente inferiores às dos desconhecidos e telecinéticos Andrew, Matt e Steve!

Daniel Lima

segunda-feira, junho 11, 2012

[CRÍTICA] O Ditador (The Dictator, 2012)

 Trailer de O Ditador

Sacha Baron Cohen consagrou o pastelão politicamente incorreto através de mockumentários (documentários com o propósito de tirar sarro), estilo marcante em Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan (Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América, 2006) e Brüno (Bruno, 2009). Aqui, em The Dictator, porém, ele abandona este estilo e realiza seu primeiro filme comercial. Apesar disso, Cohen mostra que seu humor continua afiado (apesar de um pouco mais contido) e arranca gargalhadas a cada piada com sua nova personagem: o General Aladeen.

A trama acompanha o Supremo Líder General Aladeen (Sacha Baron Cohen) do fictício reino árabe Wadiya, à medida que ele tenta construir uma arma nuclear. Embargado pela desconfiança da ONU, ele se vê obrigado a realizar um discurso em solo americano, para enganar as outras nações. Lá, ele se torna vítima de um golpe de seu braço-direito Tamir (Ben Kingsley), que pretende transformar Wadiya numa democracia e "vendê-la" para seus sócios capitalistas.

Como já era de se esperar, a película é repleta de críticas à democracia, à maneira como ela existe hoje, e de referências à cultura ocidental, desde Hollywood a Justin Bieber. As cenas de Aladeen trabalhando como empregado do mercado são hilárias. Mas, transformar o mercado em uma pequena ditadura realmente é uma sacada genial. Isso sem contar a cena do helicóptero, com diálogos sensacionais. É de chorar de rir.

Finalmente, Cohen volta à velha forma que o consagrou há seis anos. Com sua canastrice e “ingenuidade”, eleva o humor negro ao melhor estilo de humor que se pode encontrar atualmente, em um mundo tão hipócrita e velado. Desta vez, porém, ele está cercado de um elenco de peso, garantindo qualidade ao restante das cenas, com Kingsley, Anna Faris e John C. Reilly. Apesar disso, Cohen se destaca em todas as cenas e leva o filme nas costas, mas, de todos, Jason Mantzoukas é quem consegue se sobressair melhor com ele por perto.

Enfim, Larry Charles faz o feijão com arroz e deixa quase tudo nas mãos de Cohen, o que mais uma vez se mostra uma decisão acertada. Assim, temos outra personagem impagável de um dos melhores humoristas da atualidade. E mais: um filme que, apesar de comercial, não parece ter a idéia de agradar a maioria, mas sim apenas os fãs do humor ácido e contundente de Cohen. E é melhor você rir, caso contrário, corre sério risco de que sua cabeça seja a próxima a rolar.

Daniel Lima

domingo, junho 10, 2012

[CRÍTICA] John Carter - Entre Dois Mundos (John Carter, 2012)


Trailer de John Carter - Entre Dois Mundos

Desde o alarde que Pirates Of The Caribbean: The Curse Of The Black Pearl (Piratas Do Caribe – A Maldição Do Pérola Negra, 2003) causou nos cofres hollywoodianos, a Walt Disney Pictures está flertando com o combinado entre ficção-fantasia, em busca da oportunidade de copiar uma das mais bem sucedidas trilogias (em bilheterias) de todos os tempos. The Chronicles Of Narnia: The Lion, The Witch And The Wardrobe (As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira E O Guarda-roupa, 2005), Prince Of Persia: The Sands Of Time (Príncipe Da Pérsia – As Areias Do Tempo, 2010) e The Sorcerer’s Apprentice (O Aprendiz De Feiticeiro, 2010) foram exemplos óbvios destas tentativas, mas que (apesar de algumas continuações insistentes) fracassaram. Até Tron (Tron – Uma Odisséia Eletrônica, 1982), seu clássico oitentista sofreu uma (pífia!) tentativa de reboot, tamanha é a sede disneyana de conseguir uma nova franquia rentável como os caribenhos foras-da-lei. Enfim, John Carter é mais uma de suas tentativas. Uma cara e inexplicavelmente ruim tentativa.

Baseado na personagem criada por Edgar Rice Burroughs (mais famoso como o criador de Tarzan), em 1912, o filme conta a história de John Carter (Taylor Kitsch), veterano da Guerra Civil Americana que é misteriosamente transportado para Marte. Agora, ele deve adaptar-se ao novo planeta, enquanto tenta sobreviver a uma tribo de bárbaros (os tharks) e salvar Dejah (Lynn Collins), a princesa de uma cidade prestes a ser massacrada.

O roteiro é fraco, com coincidências demais e repleto de clichês. Há a cena da arena de Star Wars: Episode II – The Attack Of The Clones (Star Wars: Episódio II – Ataque Dos Clones, 2002), com mais e melhores efeitos (mas muito, muito menos criativa!), a ambientação de Dune (Duna, 1984), o figurino mix de Spartacus (Spartacus, 1960) e Barbarella (Barbarella, 1968), o romance batido entre mocinha e herói, que mesmo assim funcionou tão bem em Avatar (Avatar, 2009), etc.  Como se pode ver, várias referências foram citadas até agora. E nada, absolutamente nada disso funciona em John Carter.

Porém, o maior ponto fraco da película é mesmo John Carter. O protagonista é mal apresentado e pobremente construído. A “bravura” que se tenta mostrar no início é risível e Carter se comporta mais como um cachorro estúpido e irracional que tenta morder a mão de seu dono. O roteiro ainda apresenta algumas tentativas de se redimir e desenvolver a personagem principal, como a bela (e curta!) cena de batalha e de seu passado. No entanto, fica por aí. O protagonista continua tão burro que o final se torna inaceitável. É como se o Conan engendrasse um plano à la Prof. Moriarty. Além disso, não há motivação para o herói; não há carisma para sua liderança; não há explicações razoáveis para nada na trama (além das sacais coincidências). O romance “instantaneamente” brotado entre ele e a princess of Mars é forçado demais para mover uma guerra sozinho.  Nada convence (exceto a raça marciana thark, mas isso é graças aos efeitos visuais). Entretanto, nada disso é culpa de Kitsch, que, com sua inexperiência e falta de talento, não pode fazer muita coisa pra reverter o quadro.

A fotografia e a trilha sonora se salvam. A raça marciana thark é convincente e as cenas de ação bem feitas, porém sem que nada novo seja introduzido. As atuações em geral são fracas, salvando-se apenas Mark Strong, como o vilanesco Matai Shang. É um projeto que parece ter consumido recursos altíssimos com a intenção de se tornar um grande épico, mas, em termos de comparações, está mais para um Waterworld (Waterworld - O Segredo Das Águas, 1995) do século XXI.

Enfim, a primeira “aventura” de Andrew Stanton, consagrado por suas animações Finding Nemo (Procurando Nemo, 2003) e Wall-E (Wall-E, 2008), no terreno dos live-action não poderia ter sido mais desastrosa. Um filme ruim e justamente mal recebido pelo público que só nos deixa a indignação: o que foi feito com tanto dinheiro?

Daniel Lima

terça-feira, maio 01, 2012

[LISTAS] As Melhores Torta Na Cara: Comédias Pastelão


Epic Movie (Deu A Louca Em Hollywood, 2007), Meet The Spartans (Espartalhões, 2008), Superhero Movie (Super-herói: O Filme, 2008), Disaster Movie (Super-heróis - A Liga Da Injustiça, 2008) e outros “Movie” afins, nos fazem passar longe do cinema quando uma comédia pastelão está em cartaz. Pior: ao, assistir a estas #$@%&, temos a impressão de que jamais voltaremos a rir de novo. Calma, nem sempre foi assim! Proponho, então, que esqueçamos este preconceito que vem sido criado por estas escrotas obras e nos atemos às verdadeiras e engraçadas comédias pastelão.

O slapstick (pastelão), termo em inglês que une slap (bofetada) e stick (bastão), é um sub-gênero de comédia, caracterizado pela ingenuidade e humor derivado de situações forçadas, agressões físicas (como tortas na cara, tombos, etc.), personagens nonsense, gesticulação exagerada e acrobacias. Chamado também de besteirol, o pastelão se popularizou no Brasil dos anos 80 em diante, através de desenhos animados (Tom & Jerry, Pica-pau, Pernalonga, etc.), das sketchs do quarteto de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias (Os Trapalhões), e da trupe do mexicano Roberto Bolaños (criador e intérprete de Chaves e Chapolin).

Sketch de O Gordo E O Magro

O pastelão teve seu auge nas suas próprias origens, com a dupla O Gordo E O Magro, Charles Chaplin, e Os Três Patetas. Jerry Lewis levou a “sério” o gênero e é o maior nome fora desta época. Porém, o riso é uma manifestação cultural e mutável. O que nos fez rir ontem, pode não ter a mínima graça hoje. “Morrer é fácil; difícil é fazer rir.” é um ditado que resume a dificuldade de se realizar uma boa comédia. Não é suficiente que a piada ou situação seja engraçada; para fazer rir, há mais dois requisitos: talento e timing.

Sobre a lista, decidi excluir todas as películas em preto e branco e as coloridas de Lewis. O objetivo é tentar focar o cinema contemporâneo e sua amplitude de filmes pastelão. Os hilários curtas de Stan Laurel e Oliver Hardy e de Moe Howard, Larry Fine, Ted Healy e Curly Howard, bem como os admiráveis longas de Chaplin, ficaram de fora, não pela qualidade (superior a muitas comédias autais!), mas porque, caso contrário, dominariam a lista quase que completamente.

Cena de A Pantera Cor-De-Rosa (1963)

Portanto, nesta nova lista, destaquei alguns nomes. O grupo cômico inglês Monty Python (Terry Gilliam, John Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin e Terry Jones), o atrapalhado Peter Sellers, o nonsense Mel Brooks e o apatetado Leslie Nielsen fizeram história e marcaram positivamente o gênero. Atualmente, temos ótimos representantes com o cínico Sacha Baron Cohen, as caras-e-bocas de Jim Carrey e Steve Carell, e os (instáveis) irmãos Farrelly (Bobby e Peter). E como toda cesta tem suas maçãs podres, ainda temos de aturar os infames Eddie Murphy, os Wayans (Marlon e Shawn), Mike Myers e Adam Sandler. Enfim, seguem aí as vinte recomendações da Lista Melhores Torta Na Cara (sem ordenação):

  1. Monty Python And The Holy Grail (Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado, 1975)
  2. There´s Something About Mary (Quem Vai Ficar Com Mary?, 1998)
  3. Top Secret! (Top Secret! Super Confidencial, 1984)
  4. Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan (Borat - O Segundo Melhor Repórter Do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América, 2006)
  5. Home Alone (Esqueceram De Mim, 1990)
  6. Spaceballs (S.O.S. - Tem Um Louco Solto No Espaço, 1987)
  7. Me, Myself & Irene (Eu, Eu Mesmo E Irene, 2000)
  8. Police Academy (Loucademia De Polícia, 1984)
  9. Weekend At Bernie´s (Um Morto Muito Louco, 1989)
  10. Hot Shots! Part Deux (Top Gang 2! - A Missão, 1993)
Cena de Monty Python E O Cálice Sagrado

  1. Life Of Brian (A Vida De Brian, 1979)
  2. The Naked Gun: From The Files Of Police Squad! (Corra Que A Polícia Vem Aí!, 1988)
  3. A pentalogia clássica da Pantera Cor-De Rosa, com Sellers: The Pink Panther (A Pantera Cor-De-Rosa, 1963); A Shot In The Dark (Um Tiro No Escuro, 1964); The Return Of The Pink Panther (A Volta Da Pantera Cor-De-Rosa; 1975); The Pink Panther Strikes Again (A Nova Transa Da Pantera Cor-De Rosa, 1976); Revenge Of the Pink Panther (A Vingança Da Pantera Cor-De-Rosa, 1978)
  4. South Park: Bigger, Longer & Uncut (South Park: Maior, Melhor E Sem Cortes, 1999)
  5. Bill & Ted´s Excellent Adventure (Bill & Ted - Uma Aventura Fantástica, 1989)
  6. Who Framed Roger Rabbit (Uma Cilada Para Roger Rabbit, 1988)
  7. Brüno (Bruno, 2009)
  8. Dumb & Dumber (Debi & Lóide - Dois Idiotas Em Apuros, 1994)
  9. History Of The World: Part I (A História Do Mundo - Parte Um, 1981)
  10. Airplane! (Apertem Os Cintos... O Piloto Sumiu!, 1980)
Cena de Apertem Os Cintos... O Piloto Sumiu!

O humor é uma das características que mais comprova a individualidade do ser humano. Não há, portanto, como agradar gregos e troianos, mas estão aí as minhas recomendações pessoais. Assim, acredito que a lista é composta por ótimos exemplos para gargalhadas descompromissadas e para aprendermos a rejeitar as estúpidas e infames paródias mais recentes, que, ao invés de provocar risos, causam choro de raiva.

Daniel Lima

segunda-feira, abril 30, 2012

[HUMOR] Avante, Vingadores!


Aproveitando a sensação do momento, o filme The Avengers (Os Vingadores - The Avengers, 2012), achei algumas paródias e mashups perambulando pela net. De todos, selecionei os vídeos mais divertidos e criativos (a grande maioria inspirada pelos trailers do filme). Provavelmente todos são produtos de fãs (provavelmente ociosos... rs). Mas calma: nenhum deles contém spoilers!

O primeiro é uma homenagem à provavelmente a melhor série de humor da TV norte-americana: Friends. Um mashup com o clip de abertura da série, utilizando-se de cenas do filme dos super-heróis. É curioso imaginar um seriado assim, após assistir às complicações e piadas presentes na interações entre os protagonistas do grupo da S.H.I.E.L.D. Veja abaixo:

Mashup de Friends com The Avengers

O segundo vídeo é a recriação divertida e fiel do trailer de The Avengers, utilizando-se quase que somente dos blocos de montar mais famosos do mundo: LEGO. Destaque para as cenas de ação, como a que Hawkeye desliza pela rua, segurando seu arco. Confira:

O LEGado dos Vingadores

O próximo é um dos melhores: uma colagem de cenas de variados filmes com uma "diferente" versão dos Vingadores, novamente parodiando o trailer do grupo da Marvel. Personagens clássicos e modernos de grandes sucessos, em uma homenagem que irá agradar aos fãs de cinema. Liderados pelo poderoso Don Corleone, Homem de Ferro, Indiana Jones, James Bond, Jack Sparrow, Harry Potter, Alice e Chuck Norris (como Chuck Norris!) se unem contra uma ameaça ao planeta: Darth Vader e seu exército de Decepticons.

Nova equipe dos Vingadores

Quem me conhece sabe que este não poderia faltar: um mashup entre o trailer de The Avengers com a hexalogia mais famosa do cinema: Star Wars, que dispensa comentários. Assista:

Star Avengers

E, para finalizar, o trailer (para menores) do "remake" de The Avengers, que promete não apenas ser um arrasa-quarteirão, mas também transformar a sessão em uma festa de arromba. Literalmente... rs

The Avengers XXX - A Porn Parody

sexta-feira, abril 27, 2012

[CRÍTICA] Os Vingadores - The Avengers (The Avengers, 2012)

Trailer de Os Vingadores - The Avengers

Instalado no meu cérebro por uma raça desconhecida de alienígenas, por duas vezes meu nerdômetro estourou no cinema. A primeira foi com The Lord Of The Rings: The Return Of The King (O Senhor Dos Anéis: O Retorno Do Rei, 2003), e a segunda, com The Dark Knight (Batman – O Cavaleiro Das Trevas, 2008). A Marvel, responsável por povoar a imaginação de crianças, jovens e nerds adultos (eu!) por mais de meio século, sempre foi uma das candidatas mais fortes a estourá-lo e eu esperava por isso ansiosamente, a cada lançamento de seus filmes. Entretanto, ao contrário do que acontecia em suas HQs, era decepção atrás de decepção. The Avengers prova que valeu a pena a espera.

A evolução da Casa Das Idéias no cinema é tortuosa e inconstante. A década de 80 (praticamente sua estréia na Sétima Arte) e início dos anos 90 foi um começo penoso e que resultou em filmes horríveis, como Howard The Duck (Howard – O Super-Herói, 1986) e Captain America (Capitão América, 1990). Isso sem mencionar a pérola que nunca foi lançada (vetada pela própria Marvel!): Fantastic Four (Quarteto Fantástico, 1994), dirigida por um dos mestres dos filmes B, Roger Corman. Por fim, a Marvel se acertou com Blade (Blade - O Caçador De Vampiros, 1998) e X-Men (X-Men: O Filme, 2000).

No geral, a antiga e criativa editora não possui um histórico cinematográfico digno de suas (MARVELous!) personagens. Com títulos como Daredevil (Demolidor - O Homem Sem Medo, 2003), Hulk (Hulk, 2003), Fantastic Four (Quarteto Fantástico, 2005), Ghost Rider (Motoqueiro Fantasma, 2007) - e aqui faço questão de não mencionar sua odiosa sequência -, X-Men Origins: Wolverine (X-Men Origens: Wolverine, 2009), Thor (Thor, 2011), entre outros, a Marvel possui uma carreira numerosa, porém de pouca qualidade cinematográfica. Não obstante, ela é responsável por algumas das grandes obras-primas baseadas em HQ, como Spider-Man (Homem-Aranha, 2002), Iron Man (Homem De Ferro, 2008) e X-Men: First Class (X-Men: Primeira Classe, 2011). Além disso, várias sequências funcionaram e são bons filmes. Porém, a editora merecia algo à sua altura e já estava mais que na hora da sua irmã dos cinemas lançar O FILME.

O FILME se chama The Avengers. Quando a Terra é ameaçada por um semi-deus de outro plano, Lóki (Tom Hiddleston), e um exército alienígena, a salvação pode ser Os Vingadores, equipe de super-seres reunida por Nicky Fury (Samuel L. Jackson), diretor da unidade especial S.H.I.E.L.D. (Strategic Hazard Intervention Espionage Logistics Directorate). Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo, como Bruce Banner), Gavião-Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva-Negra (Scarlett Johansson), porém, terão de enfrentar seus egos, antes de poderem se tornar a única esperança do planeta.

Para começar, é difícil, muito difícil, falar sobre o filme. Por quê? Bom, enquanto as meninas sonhavam com as princesas disneyanas, nós, os meninos, nos divertíamos com os heróis Marvel, seja através dos gibis, seja através dos cartoons. Mais que isso: nós nos espelhávamos neles. Apesar da DC Comics também ter sua parcela de influência (em grande parte devido somente ao Super Homem e ao Batman), era a Marvel que diversificava e atendia aos nossos corações individuais. A quantidade de personagens criadas pelo Zeus do panteão nérdico, Stan Lee, é imensa e há um herói para cada um, para cada tipo de gosto. A propósito, como em todo filme de personagem criada por ele, há uma ponta sua (geralmente cômica), em homenagem a si mesmo. Homenagens estas mais que merecidas, pelo papel que teve como grande condutor dos sonhos infantis de cada nerd.

Devaneios à parte, vamos ao filme. Com pouca e irrelevante experiência no cinema, Joss Whedon construiu sua carreira através de séries de TV, focadas em várias personagens. Em The Avengers, ele cria um espetáculo com sólida sincronia dos heróis. Retocando o roteiro aqui e ali, podemos ver o esmero com que ele nos apresenta cada protagonista. As atitudes e traços de personalidade estão fortes e transparentes em cada um, e todos têm o seu papel fundamental no grupo. Caso lesse o roteiro sem os respectivos nomes, um fã conseguiria descobrir o autor de cada frase ou que heróis estariam presentes em certo diálogo. Ouvi-los conversando ou discutindo entre si é música, um poema para os ouvidos de quem cresceu lendo suas histórias. A perfeita coesão e a fidelidade às HQs são os maiores méritos de Whedon aqui.

É acertada a idéia de ir contra a tendência de noirizar as películas baseadas em super-heróis, que toma conta de Hollywood ultimamente. Hulk está lá, verde; o Homem de Ferro, vermelho e amarelo; Capitão América, azul, vermelho e branco; e Lóki, verde e amarelo (não, ele não é brasileiro; é asgardiano!). Um turbilhão de cores. A Marvel é colorida e espalhafatosa, destruindo porta-aviões, prédios, cidades inteiras. A Marvel é marvelous e os Vingadores devem ser e são retratados assim.

O início é um pouco lento, ambientando o telespectador mais leigo. Isso não significa que os fãs são esquecidos; ao contrário, os alívios cômicos desta primeira parte (presentes em grande número em toda a película e sempre bem colocados), principalmente os de Stark, são para todos, mas essencialmente para nós, os fãs mais ferrenhos. Após as introduções, porém, o ritmo do filme é intenso. Ação quase ininterrupta, com trama lógica e inteligente, porém sem muitas surpresas e com bom humor sempre.

É interessante a presença do Agente Coulson (Clark Gregg), personagem criada apenas para o filme, como um link entre os heróis e nós, meros mortais. Qual de nós não gostaria de ter nossos gibis (ou até mesmo a coleção inteira!) autografados pelo verdadeiro (e real!) Capitão América? Downey Jr. está ótimo como sempre, mas creio que já estamos acostumados com seu talento. Portanto, Ruffalo aqui se destaca; está sempre estampado no seu rosto o tormento que é a convivência com sua contra-parte. Quando ele finalmente revela o segredo de como controla o Hulk é que entendemos isso. Mas quem, de fato, rouba todas as cenas é Hiddleston. Apesar de não ter gostado de Thor (Thor, 2011), ele é um dos pontos fortes do filme do deus do trovão e aqui ele atinge seu auge: frio, esperto, obcecado, egocêntrico e irônico. Hiddleston atira insanidade com apenas um olhar.

A trilha sonora é imersiva e a fotografia é impressionante. Tudo é belíssimo, sem aquela confusão e tremidas de câmera, características de filmes-pipoca apelativos. Os ângulos dinâmicos e os planos-sequência criativos levarão muitos nerds ao orgasmo. Orgasmos múltiplos, por sinal. Eu, pessoalmente, odeio o trabalho de Michael Bay, mas fica praticamente impossível não comparar The Avengers com uma de suas obras (especialmente se for um dos seus Transformers). Para aqueles que defendem seu cinema canastrão de destruição e efeitos, desafio-os a assistir The Avengers. Quero ver se alguém tem coragem de dizer que ele sabe filmar ação, depois das tomadas em que todos os Vingadores são, em sequência, captados em movimentos enérgicos. Ah, Bay, volta pra escola!

Entretanto, o grande mérito do filme é o respeito. The Avengers respeita não apenas cada franquia já estabelecida no cinema da Marvel, mas, principalmente, os fãs. É como se tivessem feito cada um dos heróis caracterizados nos reverenciar. Sentimos que a Casa das Idéias não queria um filme em que suas maiores criações simplesmente lutassem para salvar o planeta. Ela não queria que eles lutassem POR nós. Queria que eles lutassem PARA nós. Nisso, eles obtiveram o maior êxito de sua história.

The Avengers é a maior obra-prima da Marvel. Meu nerdômetro não resistiu e estourou pela terceira, quarta, quinta, sexta... (!) vez, ao som de cada energy-blast do Homem de Ferro, cada flechada do Gavião-Arqueiro, cada martelada de Thor, cada punch do Hulk, cada pontapé da Viúva-Negra, e cada shield-tossing do Capitão América. The Avengers é uma ode à Marvel, aos fãs, aos seus heróis; enfim, é como o Hulk: The Avengers smash!

P.S.: ATENÇÃO!!! ESPEREM PELA CENA PÓS-CRÉDITOS!!! 

Daniel Lima

quinta-feira, abril 26, 2012

[CRÍTICA] A Tentação (The Ledge, 2011)

Trailer de A Tentação

Um homem sobe ao topo de um prédio e ameaça se jogar. Um policial, que acaba de descobrir a traição da esposa, é designado para evitar a tentativa de suicídio. Esta é a premissa de The Ledge, filme escrito e dirigido por Matthew Chapman, diretor de poucos e inexpressivos longas. Até agora.

Já de início, Chapman deixa claro que há algo errado. Há algo a ser contado, além das misérias e infortúnios comuns que assolam a maioria dos potenciais suicidas. A história é bem desenvolvida e a narrativa intercalada entre o dilema de Gavis (Charlie Hunnam), o homem atormentado, e os problemas pessoais de Hollis (Terrence Howard), o detetive, consegue prender a atenção do telespectador até o final.

Há boas sacadas no filme, como a “receita” descoberta por Gavis para conquistar uma mulher compromissada. O primeiro contato de Gavis e seu room-partner com o casal Harris, Joe (Patrick Wilson) e Shana (Liv Tyler), é genial. A trama é amarrada com detalhes e permeada com diálogos e debates contundentes e inteligentes, seja entre Joe e Gavis, Gavis e Shana, ou mesmo entre Hollis e Gavis. A trilha sonora transforma o clima dramático em um thriller cujo desenrolar acompanhamos envoltos.

O destaque da película é a abordagem entre os dois extremos de uma escala: o ateísmo e o fundamentalismo cristão. Entretanto, não justifica tantas polêmicas (especialmente com a imprensa e algumas igrejas) ao seu redor. É o ponto de vista expresso do autor e defensor da filosofia ateísta de seu real tataravô, Charles Darwin (curiosa coincidência). Chapman é claro e objetivo: há um herói ateu e um vilão cristão. Talvez esta seja a grande polêmica: o simples fato de "defender" o ateísmo e discutir a fé. Como ateu convicto, não entendo o porquê de tantos “não-me-toques” que a religião invoca, sendo um reles tema propício ao debate como outro qualquer. Mas talvez o próprio Gavis tenha explicado bem no filme: “Why, after thousands of years of bloodshed, didn´t we at least try to do away with this insane concept of faith before it fucking kill us?”. Se um simples filme como este já polemiza, temo que o protagonista esteja absorto em razão.

Hunnman é a surpresa da película, conduzindo com carisma uma personagem normalmente “crucificada” pela maioria dos religiosos: o ateu. Wilson, como o fanático religioso Joe, e Tyler, como a recatada e submissa esposa Shana, estão igualmente ótimos. Howard, completando o quarteto principal e mesmo sem muito espaço, transparece bem os tormentos que está vivenciando. As personagens são desenvolvidas e sólidas, mesmo sendo estereotipadas.

De fato, The Ledge pode marcar uma enorme revira-volta na carreira de Chapman. Apesar de ter sido abalroado nas críticas especializadas, ele produz um thriller eficiente, com questões profundas e incisivas sobre nossas crenças, sejam religiosas, conjugais ou sociais. É um filme indispensável para aqueles que sabem lidar e aceitar as diferenças do outro e gostam de refletir sobre a vida e suas escolhas. Enfim, The Ledge proporciona diversão de várias maneiras, sejam descompromissadas, sejam filosóficas. Graças a Deus. Ou não.

Daniel Lima

quarta-feira, abril 25, 2012

[CRÍTICA] O Príncipe Do Deserto (Black Gold, 2011)

Trailer de O Príncipe Do Deserto

Um dos maiores problemas de Hollywood nos últimos anos é o de tentar emplacar um épico como grande sucesso de crítica e bilheteria. Troy (Tróia, 2004) Alexander (Alexandre, 2004), Kingdom Of Heaven (Cruzada, 2005), Immortals (Imortais, 2011), etc., são exemplos de alguns dos últimos fracassos do gênero. Dessa vez, portanto, a culpa não é de Hollywood. Black Gold é uma produção de França, Itália, Tunísia e Catar, baseado no livro do suíço Hans Reusch, South Of The Heart, de 1957. Porém, como seus colegas ianques, Jean-Jacques Annaud peca ao tentar fazer um épico com cara de blockbuster.

A película conta a história de dois líderes que travam uma trégua, após uma guerra pela faixa de terra desértica conhecida como Cinturão Amarelo. Pela trégua, Ammar (Mark Strong), sultão do lado perdedor, é obrigado a entregar seus dois filhos para Nesib (Antonio Banderas), sultão vencedor, como garantia de manutenção da paz. Quando estrangeiros descobrem petróleo no terreno neutro, um novo embate entre Nesib e Amar se faz iminente. Caberá então a Auda (Tahar Rahim), o filho caçula de Ammar, a escolha entre o coração da sua amada e filha de Nesib, Leyla (Freida Pinto), e liderar seu povo, ao lado de seu pai.

A história é fictícia: nem os povos, nem a região, nem as personagens de fato existiram. Entretanto, Annaud tenta trazer realidade ao público. Mas falha muito feio. Falha porque fica realmente difícil acreditar na abordagem simplória ao redor de tema tão complexo e estratégico, como o petróleo. E falha de novo ao abordar a política teocrática de um estado conservador. Por exemplo, quando Auda chega ao seu lar, encontra Amar, seu pai, cercado por conselheiros religiosos e fanáticos. De uma hora para outra, Amar começa a tomar as decisões sozinho, e o filme ignora completamente os aparentemente poderosos e influentes conselheiros pré-apresentados. Fica uma sensação de que Annaud não sabia lidar com o tema e decidiu abandoná-lo ao longo do filme. Outra coisa que me incomodou bastante foi o clima politicamente correto, forçado e excessivo.

Mas Black Gold tem seus méritos. Annaud deixa precisamente claro o embate entre o liberalismo e o conservadorismo. De um lado, Nehib, um ditador progressista (como se pode ver pela sua declaração: “Idiot! I decide who is an infidel!” e pelo uso que faz do dinheiro derivado da extração do ouro negro), e, do outro, Ammar, um líder teocrata e conservador. A produção tenta tapar a superficialidade da história com uma bela fotografia e produção suntuosa. Faz isso com muito êxito; após alguns tropeços iniciais, o filme consegue captar o telespectador e finalmente trazê-lo para o meio do deserto. O pouco uso de CGI é uma façanha nos dias de hoje e escolha mais que acertada. As cenas de batalha são bem feitas, intensas e emocionantes. Aplausos para o foco estratégico que permeia toda a guerra.

Além disso, Annaud conduz bem o dilema interno de Auda, entre sua amada e sua família. O desenvolvimento da personagem principal  é um dos destaques, com Rahim interpretando um tímido e inapto jovem que amadurece e por fim se torna um líder respeitado. Strong, apesar de parecer meio engessado, cumpre bem seu papel. Pinto, porém, encontra-se dramática demais. Mas o destaque negativo é (por incrível que pareça) Banderas, numa atuação caricata e que não faz jus à sua carreira. Com um ar excessivamente canastrão, mais parece um cafetão que o líder político e sensato de um povo.

A trilha sonora possui seus altos e baixos. De início, é arrastada e melodramática demais, especialmente nas cenas entre Auda e Leyla. No entanto, engrena ao longo do filme, acompanhando bem as batalhas e por vezes tecendo comparações à Lawrence Of Arabia (Lawrence Da Arábia, 1962).

No geral, Black Gold é uma película que vale a sessão, graças ao esmero de Annaud e de sua produção. Apesar dos seus defeitos, diverte e causa impacto. Não é um épico inesquecível, porém, em comparação aos outros exemplos recentes e citados anteriormente, pode-se dizer que ainda há uma chama de esperança para o gênero. Só espero que haja mais combustível além deste ouro negro para mantê-la acesa.

Daniel Lima

domingo, abril 22, 2012

[CRÍTICA] Deus Da Carnificina (Carnage, 2011)

Trailer de Deus Da Carnificina

Roman Polanski é um dos melhores diretores da atualidade. A maioria de seus filmes, fortes e por muitas vezes polêmicos, baseiam-se na expressão da verdadeira natureza humana. Polêmicos não por serem viscerais ou chocantes, mas por tratarem de temas não muito convencionais, como sexualidade e perversões, em Bitter Moon (Lua De Fel, 1992), ditadura e vingança, em Death And The Maiden (A Morte E A Donzela, 1994), etc. Carnage, sua mais nova obra, não é diferente.

A película conta a história de dois casais, que se encontram para resolver pacificamente uma agressão que ocorreu entre seus filhos, consequência de bullying. A discussão, porém, foge do controle, revelando as verdadeiras faces dos casais Cowman, Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz), e Longstreet, Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly).

Um tema simples e monótono. Diria até chato. Mas, calma, é um filme de Polanski. Carnage, como qualquer de seus outros filmes, é genial. Praticamente toda a película se passa em apenas um ambiente: o apartamento do casal Longstreet, pais do menino-vítima da agressão (e cometedor do bullying). Em um dos primeiros desacordos entre os casais (“armed with” a stick ou “carrying” a stick?), já percebe-se que a conversa não irá acabar nada bem. O curioso é que Polanski tenta ludibriar o telespectador a cada momento, sugerindo um final para a discussão sem maiores consequências. Porém, a cada palavra, a cada frase, cada personagem vai se despindo dos valores politicamente corretos que somos obrigados a aceitar para viver em sociedade.

É isso que Carnage é: uma sátira à sociedade norte-americana e seu estilo de vida. E isto também serve para todos os povos americanizados, inclusive o brasileiro. Polanski nos prova que basta pisar em nosso calo para nos rendermos à natureza mais primitiva e animalesca. Toda a “civilidade” da qual os ocidentais se gabam vai por água abaixo. A postura defensiva de cada personagem mostra que, como o próprio Alan (na minha opinião o mais sensato e menos hipócrita dos quatro) deixa claro, ninguém ali está preocupado com o que realmente aconteceu (chega-se ao ponto de discutir até o abandono de um hamster!). Esquece-se como tudo começou; agora, trata-se de uma questão de honra, de orgulho, de se defender dos ataques disparados contra seus valores (hipócritas ou não). É curioso (e ao mesmo tempo assustador!) descobrir como somos racionais e simultaneamente tão fúteis e mesquinhos.

O quarteto protagonista está perfeito e envolvente: dramático e hilário ao mesmo tempo. God Of Carnage, peça teatral de sucesso de Yasmina Reza (que também escreveu o filme), baseia-se nas quatro personagens principais. No filme, eles também são o pilar (sim, os quatro estão tão bem entrosados que conseguem formar um único pilar!) e não apenas a sustentam, como elevam o telespectador a aplaudir no término da sessão, tal qual um ato cênico.

O modo de iniciar e terminar a película é sensacional. As cenas, sem sequer uma fala e durante os créditos iniciais e finais, explicam por si só o estopim e o fim do evento causal. Isso é Sétima Arte! Mais uma vez, ponto para Polanski! Entretanto, há um grande defeito no filme: a curtíssima duração. Quando estamos plenamente envolvidos, o fim nos pega de surpresa. Uma supresa não muito boa, já que nos divertíamos tanto com os diálogos vorazes, o humor negro e o sarcasmo do quarteto.

Assim, Carnage é verborragia inteligente e soberba sobre os valores arraigados nos imos do nosso ser. Se alguém  subitamente nos chamasse de hipócritas, provavelmente reagiríamos violentamente, oral ou fisicamente, tal qual uma das personagens do filme. A genialidade de Polanski é tamanha que ele faz exatamente isso com o telespectador, porém de maneira sutil e bem-humorada. E ainda sai aplaudido e reverenciado. Enfim, em Carnage, Polanski realiza uma ode à hipocrisia e nos prova o quão infantis (no sentido perverso da palavra) somos.

Daniel Lima

sábado, abril 21, 2012

[CRÍTICA] A Perseguição (The Grey, 2011)

Trailer de A Perseguição

The Grey narra a história de sete sobreviventes de um acidente aéreo no Alasca, enquanto enfrentam uma nova ameaça: uma alcatéia faminta. Uma premissa interessante, especialmente para um suspense, coisa que Joe Carnahan, cineasta inexpressivo, não soube explorar bem, confuso entre o suspense e o drama.

Na primeira metade do filme, o ritmo flui bem, com uma atmosfera lupina ameaçadora, apesar das inserções desnecessárias de flashbacks mela-cuecas e repetitivos para tentar montar um background. Já na segunda metade, tudo piora: o melodrama e a interação entre o grupo de sobreviventes descamba para discussões fúteis sobre seus passados, religião, crises existencialistas... Os lobos parecem esquecidos e a ambientação inóspita se torna a principal ameaça. Bah, cadê o filme que comecei a assistir? Pra quê isso, e não apenas se limitar a construir um filme de suspense mais eficiente? Carnahan parece perdido, sem saber se tenta criar um thriller ou conduzir um filme mais profundo. De fato, os lobos são intimidadores e o clima de suspense ao redor dos incursões existe, mesmo que deficiente (em muitos cenas, a tensão é preterida em favor do susto). 

O grande destaque da película é a fotografia. Paisagens de tirar o fôlego são captadas de maneira a fazer o telespectador tremer de frio. A implacabilidade da natureza está sempre ao redor das personagens de maneira incisiva. Elas não pertencem àquele lugar, e a luta contra a alcatéia se transforma rapidamente em uma luta contra a natureza, em que o grupo usa as armas que ela própria lhes deu: adaptação e inteligência. Ao mesmo tempo em que podemos ser fortes e resistir à queda de um avião, Carnahan nos mostra a fragilidade do ser humano, onde podemos sucumbir a uma torsão de tornozelo ou à falta de oxigenação em terras de elevada altitude. 

Liam Neeson encarna Ottway, uma personagem genérica que ultimamente está acostumado a interpretar. Não compromete, mas também não adiciona nada. As personagens são pobremente desenvolvidas, com comportamentos paradoxais às suas histórias pessoais (superficiais e, por vezes, inexistentes). Por exemplo, partindo de um protagonista potencialmente suicida, esperamos ao longo do filme um motivo que de fato mude suas intenções e justifique seu forte instinto de sobrevivência. Esperamos em vão. Assim, fica um pouco difícil se solidarizar com os desafios que o protagonista enfrenta, com sua repentina e inverossímil mudança de comportamento e feroz vontade de sobreviver.

Os estereótipos de filmes de grupos que tentam enfrentar alguma ameaça se fazem presentes, de maneira incômoda e chata. Há o engraçadinho e falastrão, o medroso e questionador, o submisso e solidário, o líder politicamente correto, etc. Os clichês também estão lá, desmascarando a imprevisibilidade que poderia tornar o filme bem mais interessante. Apesar disso, gostei bastante do final, mas não irei comentar aqui para evitar spoilers.

Enfim, acredito que The Grey agrade aqueles que buscam um entretenimento despretensioso num suspense vazio e que não se tenha de botar a cabeça pra funcionar muito. Não há nada de novo, e a fórmula batida é tão descarada que chega a incomodar: parece que já assistimos isso antes, umas trocentas vezes. Mas aí está o mérito de Calahan: com estes elementos que afundariam qualquer película, ele consegue elevá-la a um nível mediano. Só espero que seu próximo projeto não seja Um Lobisomem Irlandês No Alasca.

Daniel Lima

quinta-feira, abril 19, 2012

[CRÍTICA] Coriolano (Coriolanus, 2011)

Trailer de Coriolano

Uma obra de Shakespeare pouco considerada. Um protagonista arrogante e nada carismático perante ao espectador. Misture tudo numa adaptação dos idos do Império Romano para os dias atuais. Ralph Fiennes, em sua estréia na direção, optou por um projeto arriscado e desafiador. Coriolanus, entretanto, prova que ele possui muito mais do que apenas o talento (aqui mais uma vez comprovado!) para atuar.

A película se baseia numa tragédia shakesperiana que conta a história de Caius Martius (Ralph Fiennes), um general romano orgulhoso e arrogante, que conquista a alcunha de Coriolanus após a tomada da cidade de Corioli dos volscos, inimigos de Roma. Entretanto, odiado pelo povo, é banido de Roma e se alia ao rei inimigo, Aufidius (Gerard Butler), para despejar sua vingança sobre os romanos.

Apesar da distância temporal entre os cenários original e o do filme, a fusão foi muito bem conduzida. Não apenas isso; a fusão entre o teatro e o cinema é mais transparente e, de fato, uma conquista. Coriolanus é um filme onde as emoções estão sempre na flor da pele. Cada diálogo é apaixonado; cada discurso é inflamado. A opção por manter os diálogos e citações originais acompanha este sentido. Apesar de por vezes destoar um pouco, ao meu ver, foi uma decisão sábia. Como fã de Shakespeare, foi realmente fascinante assistir a uma ambientação atual com sua rebuscada e poética linguagem. Especialmente as cenas bélicas.

Mas o destaque do filme são mesmo as atuações. Fiennes nos desperta asco e admiração com sua personagem odiosa, idealista, arrogante e orgulhosa. Entretanto, consegue protagonizar a película com maestria. Vanessa Redgrave, como a mãe de Coriolanus, literalmente dá um show de interpretação durante todo o tempo em que aparece em cena. O seu discurso final ao filho é um espetáculo. Butler também se sai bem (apesar de ofuscado por Fiennes e Redgrave).

De fato, Coriolanus é um filme sobre orgulho, arrogância, ódio e vingança. Sentimentos considerados vis, que são postos sobre a perspectiva principal do protagonista e apresentados ao telespectador, às vezes, em pele de injustiça e lealdade. Talvez por isso e pela falta de simpatia de sua personagem principal, não seja considerada uma das maiores obras-primas de Shakespeare. Apesar disso, Fiennes tira de letra este desafio, confortável, em uma marcha triunfal por trás das câmeras. 

Daniel Lima

sábado, abril 14, 2012

[LISTAS] Os Melhores Das Sombras: Filmes Noir

O termo noir (leia-se “noar”) foi cunhado por críticos franceses para definir um novo gênero de filmes que surgiu nos anos 40, em Hollywood. Entretanto, há quem defenda que o noir é um estilo visual, caracterizado pela iluminação datição e pontos de vista psicológicos. Eu, particularmente, prefiro dizer que o noir foi, na verdade, um movimento cinematográfico.

Noir significa escuro - preto, negro - em francês. O termo foi cunhado nos anos 50 para definir este tipo de filme, um sub-gênero derivado dos filmes policiais na época e com características próprias. De fato, é bem difícil definir um noir. Então, como identificar um?

Destaquei algumas características facilmente identificáveis e próprias do estilo. Muitas são inerentes ao gênero policial. Vamos tentar identificá-las:

Crimes
Sempre há pelo menos um crime em cujas motivações ou consequências a trama principal se baseia: roubo, assassinato, extorsão, sequestro, fraude, tráfico, etc. Porém, diferentemente de um filme policial, estes crimes são vistos também pela perspectiva dos criminosos.


Iluminação sombria
O uso de iluminação parca é uma das marcas principais, herança de filmes de horror da década de 30 e do expressionismo alemão. Sombras dramáticas, alto contraste e iluminação low-key são elementos-chave do gênero.

Cenários urbanos
Os ambientes mais retratados são relacionados à vida noturna (ruas desertas, boates, becos escuros, bares, etc.), ao submundo dos crimes (armazéns de tráfico, casas de jogos e apostas ilegais, casas de prostituição, etc.), aos bastidores de lugares frequentados pela classe alta (hotéis de luxo, restaurantes chiques, etc.), etc. Mesmo de dia, percebe-se sombras, como nas salas de escritórios mal-iluminadas.

Corrupção
A corrupção não significa apenas as aventuras ilegais de detetives, políticos, policiais, empregados, etc., mas também a degeneração do caráter e da moral de uma personagem inicalmente íntegra. Entre as mais comuns estão o desenvolvimento de uma obsessão por um determinado assunto, objeto ou pessoa, e as motivações maquiavélicas (“os fins justificam os meios”) de uma personagem.

Personagens moralmente dúbias
As personagens são arquétipos encontrados na maioria dos filmes policiais, porém com personalidades mais complexas e com moral ambígua e relativa. Não existe a classificação herói/vilão ou mocinho/bandido, pois a tênue linha entre o certo e o errado (o ético e o imoral, o bem e o mal, etc.) é rompida e distorcida. Vícios e defeitos são mais focados e transparentes. Detetives alcoólatras, policiais homicidas, políticos corruptos, informantes viciados, maridos ciumentos, bodes expiatórios, criminosos violentos, etc., e suas variações, são tipos comuns. As motivações das personagens são secretas e mutáveis de acordo com os acontecimentos. Uma das peculiaridades noir é a presença da femme-fatale (mulher-fatal, em francês), normalmente uma gananciosa e egoísta mulher capaz de simultaneamente amar e matar um mesmo homem.

Relações humanas frágeis e instáveis
Trust no one. Qualquer personagem é uma vítima e/ou um suspeito de uma potencial traição. Mesmo sendo cônjuge, familiar, amigo íntimo, colega de trabalho, etc., não importa. É fundamental nunca confiar em ninguém, pois sempre haverá alguém disposto a trair, próximo ou não. Seja por dinheiro ou por sexo. Assim, reviravoltas e complôs são elementos onipresentes em filmes noir.

Violência física e psicológica
Normalmente os filmes noir retratam pontos de vista violentos e pessimistas. Prepare-se para assistir à realidade nua e crua, que não dá espaço para príncipes encantados ou princesas ingênuas de contos de fada. Justamente por isso, nunca há a falsa indicação (ou sequer a menor insinuação) de que tudo acabará happily-ever-after. E usualmente não acaba.

Cigarros e bebidas
Quase todas as personagens fumam ou bebem. Talvez pelo fato destes artigos terem  sido sinônimos de moda, vício e degeneração na época. Closes em guimbas ou drinks são perspectivas comuns.

Elementos técnicos não-convencionais
Ângulos de câmera indiretos (pessoas filmadas em espelhos, filmagens através de vidros, etc.), uso de narrativa (narrativa não-linear, flashbacks, etc.), roteiro intrincado, fotografia expressionista, etc., são outras características sempre presentes nestas películas.

Estas características ajudarão a identificá-lo. Porém, o noir teve sua época e fim. Foi exclusivo das décadas de 40 e 50; foi um movimento, cuja realização os próprios criadores não possuíram ciência, até uma década depois, quando o surgiu o termo.

Trailer de Los Angeles - Cidade Proibida

Porém, atualmente existem diversas obras que se inspiram nos antigos clássicos. Mais que isso: tentam ressuscitar o gênero. Películas contemporâneas com este objetivo são chamadas de neo-noir. Por isso, fiz duas listas de recomendações. A primeira, composta por quinze exemplos dos anos 40 e 50, de mestres como Orson Welles, Billy Wilder, Alfred Hitchcock, e John Huston, é a Lista Clássica (sem ordenação):

  1. Double Indemnity (Pacto De Sangue, 1944)
  2. The Maltese Falcon (Relíquia Macabra, 1941)
  3. The Killing (O Grande Golpe, 1956)
  4. Notorious (Interlúdio, 1946)
  5. Touch Of Evil (A Marca Da Maldade, 1958)
  6. The Third Man (O Terceiro Homem, 1949)
  7. Laura (Laura, 1944)
  8. Sweet Smell Of Success (A Embriaguez Do Sucesso, 1957)
  9. Sunset Boulevard (Crepúsculo Dos Deuses, 1950)
  10. A Streetcar Named Desire (Uma Rua Chamada Pecado, 1951)
  11. The Night Of The Hunter (O Mensageiro Do Diabo, 1955)
  12. Strangers On A Train (Pacto Sinistro, 1951)
  13. Gilda (Gilda, 1946)
  14. Diabolique (As Diabólicas, 1955)
  15. The Big Sleep (À Beira Do Abismo, 1946)
Trailer de Pacto De Sangue

Já a segunda, a Lista Contemporânea, é composta por vinte filmes neo-noir, dos anos 60 até os dias de hoje. O neo-noir consegue fugir mais do gênero policial, espalhando-o por outros, como a comédia, a animação e a ficção-científica. Segue a lista (sem ordenação):

  1. The Usual Supects (Os Suspeitos, 1995)
  2. Chinatown (Chinatown, 1974)
  3. L.A. – Confidential (Los Angeles - Cidade Proibida, 1997)
  4. Dark City (Cidade Das Sombras, 1998)
  5. Sin City (Sin City - A Cidade Do Pecado, 2005)
  6. Blade Runner (Blade Runner - O Caçador De Andróides, 1982)
  7. The Black Dahlia (Dália Negra, 2006)
  8. Reservoir Dogs (Cães De Aluguel, 1992)
  9. Memento (Amnésia, 2000)
  10. Blue Velvet (Veludo Azul, 1986)
Trailer de Sin City - A Cidade Do Pecado

  1. Ghost In The Shell (O Fantasma Do Futuro, 1995)
  2. Oldboy (Oldboy, 2003)
  3. Drive (Drive, 2011)
  4. Taxi Driver (Taxi Driver - Motorista De Táxi, 1976)
  5. American Psycho (Psicopata Americano, 2000)
  6. Angel Heart (Coração Satânico, 1987)
  7. The Godfather (O Poderoso Chefão, 1972)
  8. Shutter Island (Ilha Do Medo, 2010)
  9. Who Framed Roger Rabbit (Uma Cilada Para Roger Rabbit, 1988)
  10. The Big Lebowski (O Grande Lebowski, 1998)
Trailer de Coração Satânico

Como fã das belíssimas obras noir (inclusive das recentes ótimas tentativas de renovar o gênero), espero que voltemos às sombras, onde o pesado clima de mistério, sedução e traição dominem novamente a Sétima Arte. Espero poder voltar aos braços da minha femme-fatale e rebater o seu doce e fatal bote. Ou não.

Daniel Lima